Arquivo para setembro, 2008

Buritizal ganha prêmio em Portugal

Posted in Notas & Notícias on setembro 30, 2008 by Nereu Afonso da Silva

Ontem, o amigo e cineasta Alexandre Braga me escreveu para dizer que seu filme sobre meu espetáculo, “Buritizal”, ganhou o prêmio “Ficção” na competição nacional do FICAP – Festival Internacional de Cinema de Artes Performativas, em Lisboa.
Leia abaixo minha resposta à sua mensagem:
Alê,
Quanta notícia boa.
A cada vez que você me conta uma coisa dessas, eu lembro daquela madrugada que passamos aí em Lisboa, na Base Comunicação, para filmar o “Buritizal”. Acho que naquela noite houve um momento de convergência de nossos respectivos trabalhos de ator e cineasta, convergência essa que começou a brotar no “Ce n’est pas une chanson d’amour” e, de um modo mais profundo, lá naqueles nossos anos de adolescência.
Então, o prêmio vale como um símbolo dessa convergência profissional, ética e estética. Ele mostra que outras pessoas a viram e a reconheceram. Eu te pergunto: não era o que, de certa maneira, almejávamos? não pela taça (é óbvio, né!), mas pela tal da “transmissão da mensagem?”
Fico contente por você, por essa “recompensa” às outras madrugadas que você passou na pós-produção do filme. Fico contente pela Base ter sido premiada. Um grande parabéns pra você e pra sua família que tolerou (acho eu) suas madrugadas na frente da mesa de edição!
Ah, queria ter visto seu breve discurso. Mesmo que pequeno, mesmo que num festival recém-nascido, eu queria ter visto. Tenho uma coleção de momentos assim: pequenos, rápidos, muitas vezes sem nenhum glamour, mas que contam imensamente para meu estoque de emoções vividas.
Eu vi o Brook by Brook (que também estava no FICAP) há alguns anos na televisão francesa. Peter Brook é um cara que admiro muito no teatro. Buritizal deve muito às leituras de seus livros e às peças que vi dele no Bouffes du Nord.
Alê, sabe que não tenho medo desse rio secar. Claro, tudo depende de nosso desejo… Mas o desejo às vezes vem tão disfarçado, não é mesmo. Olha nossa história, da adolescência até hoje, temos esse imenso “lapso” de quase 12 anos de “não-comunicação” (que pensando bem não é nem lapso nem não-comunicação), e o rio não secou, pelo contrário, está correndo seu curso misterioso. Quem sabe, logo logo não explodimos em uma catarata, ou, pelo contrário: viramos peixe, sim peixes: um salmão, por exemplo, que depois de nascer em água doce, de migrar para o mar, de crescer, de evoluir, decide percorrer milhares e milhares de quilômetros para retornar ao local de nascimento para, finalmente, desovar… Possibilidades, possibilidades.
Pra mim tá muito claro: o rio e os peixes continuam vivos!
Um beijo pra você e pra sua família.
Inté.
Nereu

Buritizal bem acompanhado

Posted in Cinematéria, Notas & Notícias on setembro 17, 2008 by Nereu Afonso da Silva

Se você viu o trailer de Buritizal em um artigo anterior nesse mesmo blog, e se agora você quiser ver ao lado de quem o filme será exibido no Festival Internacional de Cinema de Artes Performativas, de Lisboa, é só clicar AQUI e ver a programação completa do envento. Vale a pena!

O soco

Posted in Quase Crônicas on setembro 16, 2008 by Nereu Afonso da Silva

Há três horas levei um baita soco!
Mais do que descrevê-lo, mais do que informar-lhes as circunstâncias do ocorrido, mais do que suscitar-lhes a piedade, o ódio ou a indiferença, eu queria – se fosse capaz – apenas identificar a estrutura molecular do sentimento que, depois do golpe, me abrangeu.
Dizer que é um sentimento que me pôs por terra não garante coisa alguma. Poderia recorrer ao Houaiss, onde uma quantidade de termos mais ou menos sofridos e mórbidos, um mais oco do que o outro, apresentam-se à minha mudez.
Digo mudez porque, no meu caso, a fraqueza na voz é o primeiro sintoma que aparece quando beijo a lona. O chão duro, o fundo do poço (ou, se preferirem, a falência completa da felicidade) não são lá muito fecundos em ecoar sons congruentes, vocês não concordam?
O fato é que foi um belo baque.
Um impacto que há três horas me deixa assim: balbuciando e acreditando que na inconstância, na improdutividade, na incoerência do balbuciar reside alguma solução.
Vai saber!
Mas o que eu queria mesmo, eu repito, era tão-somente identificar a estrutura molecular do sentimento revelado pelo soco. Não para desenhar o sentimento. Não para traduzi-lo. Não para transportá-lo envernizado ou transfigurado a vossos olhos nestas linhas. Nada disso. Mas apenas para quebrá-lo em sua raiz, alterar-lhe a direção, enganá-lo, destruí-lo e simplesmente ter a esperança de livrar-me de vez do que nele ainda me transborda.

Nereu Afonso da Silva

Buritizal, o filme

Posted in Cinematéria on setembro 5, 2008 by Nereu Afonso da Silva

Buritizal é um trabalho solo de teatro, criado com a colaboração de Isabelle Elizéon, em 2001, em Paris. No ano passado, uma versão portuguesa da peça foi transformada em filme pelo cineasta Alexandre Braga. Agora, o FICAP – Festival Internacional de Artes Performativas – selecionou o filme para ser apresentado no Museu Nacional do Teatro, em Lisboa, de 20 a 28 de setembro de 2008.

Tire um gostinho e veja o trailer abaixo: