Arquivo para agosto, 2007

Ruído Branco # 8

Posted in Notas & Notícias on agosto 27, 2007 by Nereu Afonso da Silva

Acabou de sair a mais nova edição da Ruído Branco, desta vez com o tema “Azul da Prússia”, que evoca o acidente radioativo com o Césio 137, em Goiânia, em 1987. Para dar uma folheada virtual nos artigos, poemas, quadros e composições musicais que povoam essa edição, essa madura e bela edição, número 8, da Ruído Branco Azul da Prússia, clique AQUI.

…!

Posted in Deu na telha on agosto 25, 2007 by Nereu Afonso da Silva

Nós somos malditos, a vida dos homens é maldita em geral!
(A minha, em particular!)

A Dócil, Fiódor Dostoiévski

Correio Litorâneo, o jornal sai no jornal

Posted in Sobre o "Correio..." on agosto 21, 2007 by Nereu Afonso da Silva

Sobre meu Correio Litorâneo, o escritor André de Leones tinha escrito isso:

CORREIO LITORÂNEO (Nereu Afonso da Silva, Record) – Contos. Prêmio Sesc 2006. Começa leve, engraçado, e aos poucos, sem estardalhaço, come o leitor vivo. Redondo, sem excessos e sem escorregões. Todos os contos são bons, mas Um Buraco na Tarde é um estouro, talvez uma obra-prima.

e agora, no caderno ilustrado do Diário de Cuiabá, escreveu ISSO:

 SIMPLICIDADE ENGANADORA

O premiado Correio Litorâneo, livro de estréia de Nereu Afonso da Silva, esconde por trás de sua aparente simplicidade uma grande sofisticação

André de Leones*
Especial para o Diário de Cuiabá

Correio Litorâneo é o nome do pior jornal do planeta. O periódico marca presença, direta ou indireta, em todos os contos do excelente Correio Litorâneo (Record, R$ 25,00), livro de Nereu Afonso da Silva que venceu do Prêmio Sesc de Literatura 2006 em sua categoria. Na categoria romance, o vencedor foi Casa Entre Vértebras, experiência-limite de Wesley Peres, já resenhado neste espaço. Correio Litorâneo chega ao público graças ao aval dos membros da comissão julgadora, formada, na etapa final, por Flávio Moreira da Costa e Cristiane Costa, e com o selo de um dos maiores grupos editoriais do país. Nada mal para um livro de estréia.

Nereu Afonso da Silva desenvolve suas histórias com grande desenvoltura, alternando momentos de grande humor com outros, de gravidade nem um pouco forçada. O livro é dividido em duas partes. A primeira delas, Uns, tem uma levada agradável e bem humorada, mas o autor, volta e meia, pega o leitor no contra-pé. De fato, a aparente leveza e o bom humor podem dar a impressão de que, a princípio, o livro sirva apenas para uma leitura despreocupada. Felizmente, não é esse o caso, e a segunda parte, Outros, funciona como um balde de água fria no leitor que já se julgava em terreno seguro.

Logo no conto que abre o volume, Úngaro dos Passos, já se torna evidente que estamos diante de um contador de histórias de mão cheia, cuja sofisticação é perceptível graças à maneira como trabalha a ironia. O personagem-título é um ladrão com pompa de profeta, que cedo sente um “oco revolucionário aumentando em seu espírito” e, mais tarde, já “consagrado”, conta suas proezas aos seguidores (ele não tem cúmplices, mas fiéis) “mais por instinto pedagógico do que por vaidade.”

Sobre esse conto, um dos melhores do livro, Nereu disse, com exclusividade para o Diário de Cuiabá, o seguinte: “Apenas tive vontade de confrontar esse personagem infantil àquilo que socialmente, oficialmente e ‘psicanaliticamente’ representa a autoridade: o adulto, o pai, o policial. Recheei de sátira a questão da viagem iniciática daquele que se isola por anos para ‘aprender’, para ‘conhecer seu caminho’ e penso ter, também através do humor, transformado o ‘handicap’ em ‘algo mais’ com a questão da falta do dente incisivo superior.”

Ainda na primeira parte, o conto Leitão marca presença como uma sátira hilária do brazilian way de se fazer política. O tom oficialesco da narração e o fato de o protagonista ser homônimo do autor levam a extremos a comicidade da situação explorada ali, na qual, dentre outras coisas, um prefeito lavra um processo que não existe. Como não poderia deixar de ser, o autor se inspirou em um fato real.

O melhor conto do livro, entretanto, não prima pela hilaridade. Um Buraco na Tarde é a narrativa perturbadora, potente e rascante de uma tragédia. Essas mudanças de tom perpetradas ao longo do livro impressionam. De fato, a destreza com que o autor trafega pelos diversos elementos que compõem os contos do livro, sem que o mesmo soe irregular, esquizofrênico ou mal organizado, é mesmo exemplar. E é justamente o derradeiro parágrafo do conto Um Buraco na Tarde o que dá bem a medida do talento de Nereu Afonso da Silva e justifica, sobremaneira, o prêmio recebido por Correio Litorâneo:

“Os dentes apertam e já arranham o ferro da arma, a mão treme, o gatilho feito mola inicia sua trajetória. Lembrou-se muito lucidamente que esquecera de trocar a lâmpada de 60w da cozinha, mas agora, com o tambor do revólver girando, às seis em ponto, já era noite o buraco da tarde.”

*André de Leones é escritor e colabora com o DC Ilustrado (http://aleones.wordpress.com/ )

Sou vai e volta

Posted in Notas & Notícias on agosto 21, 2007 by Nereu Afonso da Silva

É, gente, já estou de volta à velha Montreuil, do ladinho de Paris, um verão molhado que não passa dos 18 graus, há dois meses, parece. Uma injustiça, afinal esses são os únicos dois meses do ano destinados ao calor, ao bronzear-se, às flanadas na cidade ou no campo, bermuda-sandália-camiseta. Mas não! No lugar do calor seco, só chuva fina e frio. Ótimo tempo para ficar em casa, a luz da escrivaninha acesa, o plic plic caindo do céu cinza pela janela, um chá de tempos em tempos, uns telefonemas para ajustar o ano letivo que começa, porque aqui, como aí, o ano letivo só começa depois do verão.
Mas, putz!, e agora, que não houve verão…?
Tem nada não, começo-o em outro lugar: aí, que logo logo, pra mim, vou chamar de aqui: em SP: em setembro: tô rechegando!

Faz vinte anos…

Posted in Quase Crônicas on agosto 19, 2007 by Nereu Afonso da Silva

II.
Mas um dia inventaram outra história, da qual tenho apenas uma parca e rara imagem vinda de televisor, a antena em “v”, uns chuviscos intermitentes, sempre os mesmos e mais quase nada, numa tela de Jornal Nacional com aquela voz – e isso eu invento ou lembro? – do Cid Moreira, bem melosa, oito horas, boa noite, terno e gravata, hoje, Goiânia, ao vivo, com locuções, palavras e mais palavras misturando melodrama, ignorância, fim de vida em pele azul, publicidade e, no final, depois da cotação da bolsa e dos gols da rodada, uma derradeira palavra: um outro boa noite, assim, vejam vocês, quase inofensivo, preparando a telenovela e deixando no ar [salve-se quem puder!] aquilo de que ninguém nunca tinha ouvido falar: ç-cé-césio, o quê?

Buritizal, de novo no Brasil

Posted in Teatradas on agosto 3, 2007 by Nereu Afonso da Silva

Buritizal é o título de meu primeiro espetáculo solo. Ele foi criado em 2001 em Paris, adaptado e traduzido para o francês a partir do livro Buritizal – a história de Miguelão Capaégua, de José Afonso da Silva (Editora Paz & Terra). Em 2002, ficou em cartaz, em versão brasileira, no Centro Cultural São Paulo e, a partir de então, continuou sua trajetória entre teatros e festivais dos dois países: França e Brasil.
Domingo que vem, dia 5 de agosto, a nova versão do espetáculo, mais enxuta, reelaborada no humor e nitidamente influenciada pelas narrativas dos contadores de história, será apresentada no Sesc Bertioga, às 20h30. Se você estiver nessa parcela do litoral paulista e quiser aparecer, será um prazer ter você na platéia.
Até lá!