Arquivo para julho, 2007

Remergulho no palco

Posted in Teatradas on julho 31, 2007 by Nereu Afonso da Silva

Depois de um começo de julho voltado aos lançamentos do meu Correio Litorâneo e aos papos nos quais predominaram a literatura, remergulho no teatro como espectador [conto mais tarde o que andei vendo], mas também como ator e professor. Tudo isso ainda em SP, cidade ímã, meu pocinho de várias voltas.
Primeiro foi nos corredores e quartos de certos hospitais da capital, nessas últimas semanas, com os Doutores da Alegria, vitais amigos, onde eu, de jaleco branco e nariz vermelho flutuei entre risos acolhedores, bip bip de aparelhagem médica, gags intrusas, UTI, apreensões, esperanças e, da minha parte, uma nítida impressão de não ter visto passar esse hiato de nove anos que separava o meu palhaço dos hospitais brasileiros.
Outra teatrada que estou aprontando na cidade é a oficina “Jogo e Construção Dramatúrgica”. Desta vez,  meu trabalho é preparado e dirigido exclusivamente aos integrantes do grupo GB, que estiveram em cartaz – e lotaram, com seu espetáculo mais recente, o teatro dos Parlapatões.
É São Paulo, que eu digo mentindo que mal a tolero, de novo coçando minha vontade.

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Hoje, 25 de julho, Dia do Escritor

Posted in Notas & Notícias on julho 25, 2007 by Nereu Afonso da Silva

… e do escritorto.

Chanson d’amour, um gostinho

Posted in Cinematéria on julho 23, 2007 by Nereu Afonso da Silva

Para assistirem ao trailer de Chanson d’amour, de Alexandre Braga, filme no qual atuo, cliquem AQUI

Sobre Correio Litorâneo

Posted in Sobre o "Correio..." on julho 22, 2007 by Nereu Afonso da Silva

Saiu há algum tempo… durante a Flip… no blog de Leandro Mazzini, no JBOnline.

 

Correio Litorâneo, uma boa notícia.

 

“Quando passar numa livraria, procure por essa boa revelação – quem leu já me disse ser muito boa estréia: Correio litorâneo (Record), de Nereu Afonso da Silva. Vencedor do Prêmio Sesc 2006 na categoria contos. São histórias fictícias publicadas num jornal não menos fictício. E hilárias.”

Mais Michaux

Posted in Notas & Notícias on julho 22, 2007 by Nereu Afonso da Silva

Na revista Ruído Branco, edição # 7, além das habituais colunas de seus colaboradores  [equipe de peso], aparecem também traduções minhas de trechos do Poteaux d’angle, de Henri Michaux. Para visitá-las, cliquem AQUI.

Plume, Michaux

Posted in Tradux on julho 18, 2007 by Nereu Afonso da Silva

Talvez não sejamos feitos para um único eu.

On n’est peut-être pas fait pour un seul moi.
[ Henri Michaux ] – Plume, posfácio

Resumo 2

Posted in Quase Crônicas on julho 16, 2007 by Nereu Afonso da Silva

Cheguei ao Rio pela segunda vez na madrugada do dia 3 de julho, isso, de 2007. A primeira vez tinha sido há vinte e sete anos atrás, um baita tempo para uma distância nem tão longa assim. Na primeira fomos no Opala vinho pelo asfalto, Itatiaia, Dutra, calçada de Ipanema, Maracanã, cinco dias só, a caminho de Minas: BH e Sete Lagoas [meu dente quebrado vem até hoje dali]; depois foi poeira, boi, boi, boi até chegar em Buritizal, le village de mon père, ali, onde destino virava origem.
Depois, nunca mais.
Até que veio a semana passada e minha segunda chegada no Rio num teco-teco-tam, Paris-Rio. É que nos últimos anos a distância aumentou: agora são onze horas inquietas que me suspendem, homem descolado, ou apenas deslocando-se?, sem terra sua, será? [pergunta besta!], enfim, para vir de casa para o país.
O fato é que me instalaram em Copacabana cheio de fuso-horário no corpo. Mas não dormi na hora. Fui à praia, telefonei, depois, sim, dormi, levantei e cheguei de táxi no Flamengo. Aí começou o resumo 2 que prometi no post anterior. Estava no Rio para receber o Prêmio Sesc de Literatura vencido pelo meu Correio Litorâneo, na categoria contos. A cerimônia seria logo mais, à noite, na Academia Brasileira de Letras. Mas meu resumo começa à tarde, no seminário sobre literatura realizado no Arte Sesc do Flamengo. Até então, só conhecia aquela gente toda por e-mail, livros ou telefone. Rosto mesmo ainda não tinha visto o de ninguém, nem por foto [só o do Wesley Peres, que é muito mais alto fora das fotos, e que é o vencedor do prêmio na categoria romance com seu Casa entre vértebras]. Nem meu próprio livro eu tinha visto. Estava lá embaixo, cigarrinho enrolado, aceso, zonzo, perguntando-me: será que esse é fulano e aquela sicrana? Foi quando passou um rapaz segurando o Correio na mão, um susto! Por favor, você é da organização? Não!, respondeu-me breve e amavelmente. E desapareceu com meu Correio, agora dele, lá para dentro. Era o Marcelo Moutinho, um dos convidados a discutir e debater o conto brasileiro contemporâneo na mesa organizada para os técnicos regionais do Sesc. Revi Marcelo depois, em Parati, onde papeamos até muito tarde e de onde saí com seu Somos todos iguais nesta noite, excelente livro de contos. Mas quem vi primeiro mesmo e fiz a associação nome-rosto-voz-generosidade foi a Maria José Duarte, do Sesc Nacional. Fez boa viagem? Fiz, obrigado. Nossa, Nereu, você parece mais jovem do que eu imaginava… olha, deixa eu te apresentar, esse é o, essa é a.
E sucederam-se na lista André de Leones, Lúcia Bettencourt [vencedores do mesmo prêmio no ano passado e que nos acolherem, Wesley e eu, como se fôssemos uma espécie de primos que acabaram de descobrir a existência, mas que já eram família íntima], em seguida veio Henrique Rodrigues, também do Sesc Nacional, profissional ponta firmíssima desde o começo. Ao lado da Zezé, do Sesc, e do Flávio Izhaki, da Record, foi impecável comigo e com meu Correio. Henrique, além de poeta, também é portador de uma respeitosa e agradável insolência, ligeiramente visível, e deliciosa para aqueles que o rodearam nas discussões inflamadas da – e sobre a – Flip.
Depois fui apresentado à ala paulista: Nurimar Falci e Regina Siqueira, descontração, sim, e, sei lá se por protocolo ou reputação, organização impecável também. Fácil, fácil.
Aos poucos, aqueles que aí em cima chamei de ‘aquela gente toda’, foram constituindo-se, agora com carne, osso, olhares cuidadosos e sorrisos singulares; foram revelando-se aos poucos para mim nas conversas amigas que pingaram uma depois da outra, no Flamengo, na Lapa, na areia de Copacabana, nas batidas de chinelo na calçada da avenida Atlântica, na Off-Flip, nas tendas, nos bares e restaurantes em Parati, também nos bares [tem tido muito bar] e no Sesc da Vila Mariana, em São Paulo.
E teve o encontro, as conversas com o Wesley, que até então se restringiam a parcos e-mails. Papo bom, fluido, família adorável, literatura, o tradicional você leu isso você leu aquilo, as inevitáveis diferenças, mas longe da imbecil hostilidade ou do medo complacente que tanto  impede o debate de idéias. Pelo contrário, com o Wesley, prosemeador de primeira, há um saudável riso na discórdia, camaradagem já, cumplicidade sem ensaios, convergências também: vejam o Campos de Carvalho agora descoberto… [Valeu, poeta!, os búlgaros estão sendo lidos e existindo!]
Pois é… É isso o que contava relatar nesse resumo desamarrado. É o que por enquanto tem ficado, mas com chances de mudar, como essa vontadezinha nova surgindo e se impondo, dizendo-me que não é mais possível deixar passar mais de quarto de século sem visitar o Rio e o que lá tem de bom.
Planos, planos…